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terça-feira, 1 de agosto de 2017

O futebol DOURADO que o Grêmio joga - Análise de Grêmio x Santos

De um lado: Como o time toca a bola, como tem jogadores habilidosos, esses meninos da base são fantásticos, quanta velocidade, quanto habilidade...
Do outro: que time que joga feio, só quer se defender, quanta catimba, esse antijogo não vai dar em nada...
Rótulos dados na história de Grêmio e Santos, mas que foram claramente invertidos no último domingo. Rótulos aliás que não condizem com a história DOURADA do Grêmio. Voltamos para 1977 para falar um pouco deste rótulo. Presidente: O MAIOR GREMISTA DA HISTÓRIA, HELIO DOURADO. Técnico: Telê Santana: CONSIDERADO POR MUITO O MELHOR TÉCNICO DA HISTÓRIA DO BRASIL. O time: sim como muita garra e força, coisa nunca deixamos e deixaremos de ter, mas de MUITA TÉCNICA, afinal um time com Eurico como lateral direito que apoiava, Ladinho na esquerda que ficava mais, Victor Hugo um volante de contenção, e ao seu lado Iura, o motorzinho do meio campo, que tinha a criatividade nos pés de Tadeu Ricci. O ataque tinha o jovem e fantástico Éder pela esquerda (que ajuda o meio campo com sua movimentação) e o veloz jogador com maior números de jogos pelo Grêmio Tarciso, além do centroavante André Catimba. Um Grêmio DOURADO, tirando a hegemonia dos rivais...

O time DOURADO de 1977

E o que falar de 1981, quando desbravamos o Brasil?Novamente com Dr. HELIO DOURADO como presidente. ENIO ANDRADE, considerado o melhor técnico gaúcho. Um time que tinha como capitão o já experiente Leão no gol,  um jovem promissor lateral direito, e futuro campeão do mundo, Paulo Roberto, uma dupla de zaga com Newmar e o capitão mundial De León, tendo na esquerda outro jovem e futuro campeão do mundo, Casemiro, que protegia mais a zaga. Como cão de guarda China, na frente dos zagueiros, e do meio da frente um time habilidoso e voluntarioso, com Vilson  Taddei e Paulo Isidoro como motores do meio, Odair na ponta esquerda, que ajudava na recomposição do meio, Tarciso novamente pela direita, e o artilheiro de Deus Baltazar como centroavante. A base do mundial estava formada, um time DOURADO!

O time campeão brasileiro de 81

Pois então, quando falarem que o Grêmio está numa fase DOURADA, responda que o GRÊMIO É DOURADO! Hoje mais do que nunca, com o seu modelo de jogo de toque de bola, troca de posições, avanço dos laterais, jogo entre linhas. Hoje são outros nomes, mas com a mesma qualidade de sempre. Os adversários sabendo disso, e abdicam de jogar quando nos enfrentam na Arena. Abdicam até mesmo de sua história de jogar para cima, com qualidade. Abdicam mesmo quando tem jogadores, ou um time com Lucas Lima no meio, os bons e velozes Copete e Bruno Henrique pelos lados e o experiente e artilheiro Ricardo Oliveira na frente. Não digo que fiquei envergonhado, prefiro dizer que o Santos teve MEDO do Grêmio. Afinal foi um massacre do Grêmio, tanto no que se diz respeito a posse de bola com 59%, mas principalmente no número de chutes, 22 contra quatro. Destas tentativas de gol, 8 foram em gol (méritos para o bom goleiro Vanderlei), 9 para fora e 5 bloqueados. 

 Controle absoluto do Grêmio em todo jogo. Fonte: SofaScore

Mapa de chutes de Grêmio e Santos. Dessa vez muitos chutes nossos de longe e para fora. 


Mas no fim muitos me questionaram, do que adianta esses números se o resultado foi empate. E todos tem razão o que vale é o gol. Vou tentar explicar um pouco o que o Grêmio não fez, e também o que o Santos fez para impedir que vencêssemos. Vale falar, que sim, o Santos praticou o antigo jogo e o árbitro foi conivente (fazia tempo que não saia do estádio tão irritado com uma arbitragem). Mas estamos aqui para falar de tática, e vamos a ela. Primeiro vou dizer o que o Santos fez. Atuando com um linha de 4 atrás, com dois zagueiros altos. Na frente deles tinham dois volantes bem posicionados, Yuri e Alisson. A frente tinham três jogadores, sendo que Lucas Lima ficava livre para circular e buscar a bola na saída de jogo, e Copete pela direita e Bruno Henrique na esquerda. Estes dois pelos lado recuavam na linha dos dois volantes quando o Grêmio avançavam seus laterais. Na frente, sem ritmo de jogo, e bem parado, Ricardo Oliveira, que pouco fez no jogo.

 Santos muito defensivo. Os dois jovens volantes bem posicionados na frente da zaga, o que vemos pouco hoje pois ou vemos um volante posicionado no 4141, ou então uma linha de 4, formando o 442, ou um modelo muito comum hoje na Europa (exemplos do Chelsea e Juventus) do 541.
Foto de @chrisgrieff

Este bom posicionamento do Santos se reflete no números de rebatidas, ao total de 29, e o mais importante, o local delas, quase todas na linha da grande área. Significa que o Santos compactava no terço defensivo de seu campo, assim não se desgastando. E neste espaço de campo que seu deu o grande duelo tático do jogo. De um lado o Santos muito bem posicionado, e do outro o Grêmio, tendo o seu ataque rápido tentando romper essas linhas defensivas. Observei que Fernandinho, Everton e Pedro Rocha ficavam alinhados, entre a defesa do Santos, sem a possibilidade de vir em velocidade de trás, em especial no segundo tempo, pois no primeiro conseguimos esta velocidade de triangulações vindo de trás. Junto com eles, Luan tentava buscar o jogo e se movimentar, porém barrava na falta de opções devido a pouca mobilidade dos nossos atacantes.

29 rebatidas de bola do Santos, centralizadas na grande área.

Mapa de calor de Luan, Pedro Rocha, Fernandinho e Everon x Sistema defensivo do Santos, onde o jogo se definiu.

Analisando os passes do time, vemos que o jogo se concentrou em Ramiro, Maicon, Edilson, Luan e Fernandinho. Notem que os jogadores citados atuam mais pela direita, o que foi a tendência no jogo. Talvez faltou um pouco mais de inversão de jogadas, para que assim, na velocidade e no elemento surpresa conseguíssemos abrir espaços na defesa, o que não se viu. O que se viu foram muitos cruzamentos, o que convenhamos, com Fernandinho, Everton e Pedro Rocha na frente, contra uma dupla de zaga alta, era perda de tempo. Na minha opinião, em especial Edilson, pois as jogadas eram por lá, deveriam tentar cruzamentos rasteiros, tipo chutes em gol e não cruzamentos alto cuja probabilidade de conseguirmos a vitória pelo alto seria difícil.

Interação de passe do Grêmio. Grande volume pelo lado direito.

Alto número de cruzamentos realizados, sendo a grande maioria pela direita.

São detalhes que temos que aprimorar, pois independente do time que jogar na Arena, enfrentaremos essa retranca. Que o Grêmio DOURADO consiga resolver este problema, nada comparado ao que o Dr. Helio Dourado fez seja construindo um boa parte de um estádio, seja quebrando uma hegemonia, seja abrindo as fronteiras do Brasil, seja assumindo a direção no momento mais difícil da nossa história, ou seja cantando o hino do Grêmio a pleno pulmão em todos eventos que participava.

 O Grêmio é DOURADO devido aos torcedores como Dr. Helio, mas infelizmente nunca teremos um torcedor tão DOURADO como ele. 
Obrigado PATRONO HELIO DOURADO, QUE TU AGORA BRILHE NO CÉU!

Contribuíram para este post:
Christian Grieffenhagen @chrisgrieff
Humberto Roman @seualgoz
João Batista Costa Saraiva @joaobcsaraiva





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